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Você Mistura Palavras em Japonês Quando Conversa em Português? Saiba Mais Sobre Dekasseguês

“Você gambatteia no zangyoo e nem tem tirado yasumi. Anda sem tempo para encontrar com a namorada, está sempre dizendo gomen. Ela também anda isogashii, shoganai. Essa semana foi no hospital, correndo, na hora do kyukei, mas não tinha tsuyaku. Saiu de teiji, mas já era bem tarde e teve que comer bentoo de konbini com juusude hyaku en. Mas, no final de semana já comprou o tikketo para ir numa disco com os tomodachi”.

Se você entendeu pelo menos os fundamentos dessa estorinha, parabéns! Você é um falante de dekasseguês, uma controversa variedade linguística da comunidade nikkei baseada na Terra do Sol Nascente que vem chamando atenção de pesquisadores e educadores. Mas, afinal, falar dekasseguês é um problema para os brasileiros que vivem no Japão? Ele interfere no aprendizado da língua portuguesa? Existe regra de etiqueta para falar em dekasseguês?

O dekasseguês pode ser consideração uma variação da língua e o uso de certas palavras japonesas no vocabulário em português pode enriquecer muito a maneira de um falante se expressar.

O dekasseguês é uma criação do meio social e cultural que nos encontramos. Certamente esse fenômeno se repete nos mais diferentes lugares. Da mistura do japonês, do inglês e do português, nasceu uma nova língua na comunidade brasileira que mora no Japão. O dekasseguês nada mais é do que o hábito de misturar palavras em japonês, termos em inglês com pronúncia japonesa , ou criando adaptações nas mesmas durante uma conversa em português.

O dekasseguês facilita bastante a comunicação entre os funcionários da fábrica. Como muitos brasileiros vêem para o Japão sem experiência na indústria, as técnicas e procedimentos, bem como nomes de máquinas e até mesmo a mera divisão de turnos de trabalho, ganham significado apenas quando são falados em japonês. Por isso é comum falar “kyukei” ao invés de “intervalo”, “kensa” ao invés de “checagem”, dentre outros vocábulos japoneses que acabam sendo inseridos no cotidiano.

O texto acima é do Blog Ovemundo (Roberto Maxwell, brasileiro radical no Japão)

O brasileiro residente do Japão incorporou vários aspectos da cultura local, o que é positivo, mas quando usado com familiares e amigos (não descendentes) no Brasil torna a comunicação confusa, necessitando de tradução ou explicações o tempo todo. Como já faz parte do cotidiano, é muito natural falar palavras como genki? daijobu? gomen, onegai, zangyo,etc. Ao retornar ao Brasil, o uso deste vocabulário cria falhas na comunicação já que as pessoas não entenderão o que se está falando…

Dentro ou fora das fábricas, conversar misturando os idiomas português e japonês é algo muito comum dentro da comunidade brasileira no Japão. É inevitável dizer um gomen, em vez de desculpe.

É tão natural que as pessoas nem se dão conta; quando percebem, já falaram uma palavra em “dekasseguês”. Para entender essa linguagem própria, só mesmo os brasileiros que vivem no arquipélago por algum tempo.

Cada vez mais, criam-se expressões engraçadas, seja falando palavras japonesas em conversas em português ou fazendo adaptações com as duas línguas ao mesmo tempo. Ou ainda, dizendo palavras de origem inglesa, mas com a pronúncia dos japoneses.

Palavras japonesas que a comunidade usa:
bentoo: refeição pronta
braji: (corruptela de burajirujin): brasileiro
daijoobu: tudo bem
eki: estação de trem
furyoo: lixo, marginal
gomen: desculpe
hirukin (ou apenas hiru): trabalho de dia
hisashiburi: há quanto tempo!
iranai: não precisa, não quero
isogashii: corrido
keitai: celular
konbini: loja de conveniências
mezurashii: que extraordinário!
oishii: gostoso, saboroso, apetitoso
shigoto: trabalho
sumimasen: com licença, desculpe-me, obrigado
shooganai: não tem jeito
sooji: limpeza
yada: ah não!
yakin: trabalho de noite
zangyoo: hora extra

Algumas frases estranhas, mas comuns:
♦ Tudo genki desuka? (Tudo bem?)
♦ Nossa! Aqui só dá furiosinho (feinho), hein?! (em baladas)
♦ Estou fazendo baito (trabalho temporário) todo fim de semana
♦ O cara gambateia (se esforça) pra caramba, mas nunca é reconhecido
♦ Nossa, mó doubutsu (animal), mano!
♦ Faz um onegai (favor)?
♦ Que urusai (inconveniente)!
♦ Esse chefe é hidoi (mau/ruim)!
♦ Hoje estou muito tsukaretado (cansado)!
♦ Já fez o kakunin (confirmação)?
♦ Hoje vem um taifuzinho ou taifuzão? (tufão)
♦ Vou fazer o kensa (verificação/seleção, checagem)
♦ Ele levou kubi (corte, perdeu o emprego)?
♦ Faz um gamanzinho? (fazer um esforçozinho/Agüenta um pouquinho)
♦ Chotto matte (espere um pouquinho)

(publicado no Gambare.uol)

Este é o primeiro passo para aprender a língua: PENSE EM JAPONÊS!

Voltando ao primeiro parágrafo deste artigo, você leu traduzindo cada palavra grifada? Com certeza, NÃO! Por que?

Porque você ao ler a palavra em japonês já entende o significado dela, consegue até ter a imagem em sua cabeça, sem precisar traduzir. Você aprendeu, assimilou e seu cérebro já reconhece o significado sem ter que traduzir. De tanto ouvir, provavelmente você já assimilou.

Uma boa prática para quem está estudando uma nova língua é simplesmente PENSAR. Quem é fluente não fica traduzindo de uma língua para outra antes de falar, simplesmente fala e compreende o que ouve.

Isto não é fácil, muitas vezes pelo vocabulário reduzido.

Depois de algum tempo toda aquela dificuldade inicial, como que num passe de mágica, desaparece. Mas como? Na verdade o nosso cérebro assimila aquilo tudo e transforma em conhecimento permanente, ou seja, em coisas que a gente não precisa pensar para fazer. Você pára pra pensar em como vai escovar os dentes? É claro que não!

Com o japonês ou outra língua nova acontece o mesmo, quando estamos começando a estudar é complicado lembrar de tanta regra e tanto vocabulário novo. O segredo é praticar todos os dias, com o tempo aquele conhecimento se torna tão comum que a gente usa naturalmente. (publicado no Blog Suriemu: Quer aprender japonês?)

No início do movimento dekassegui no Japão, os brasileiros que não tinham conhecimento, pronunciavam as palavras japonesas com uma acentuação estranha, mais parecida com a pronúncia da lingua portuguesa, cheia de acentos agudos e circunflexos. Exemplo: falava-se dekasségui, zanguio (correto é zangyo), onegAi,ariGAtou, etc.

Atualmente, encontramos uma grande maioria que pronuncia corretamente, sem acentuação desnecessária, facilitando ainda mais a comunicação com os japoneses. A convivência, a repetição, treinamento do ouvido, tem aprimorado bastante a pronúncia do idioma japonês da comunidade brasileira no Japão.

Muitos já leem o katakana e o hiragana, e conseguem identificar muitos produtos nas prateleiras dos supermercados e das lojas de conveniência, como no shopping center. Muitos kanjis também já são mais facilmente identificados, principalmente pela população que tem carta de motorista.

Estudar é bom! Sempre é oportunidade para começar. Estudar uma nova língua no próprio país é melhor ainda… Os <professores> estão ao seu redor e seu cotidiano é sua <sala de aula>

Muitos brasileiros que estudaram um pouco mais o idioma japonês (leitura, escrita, conversação) estão conseguindo novas colocações de emprego no Brasil, onde empresas japonesas estão ampliando suas atividades.

Karina Almeida, escreve no Blog Meu Japão que a desvantagem de se falar o dekasseguês é o esquecimento também do português, principalmente das dificuldades para se readaptar ao Brasil. Texto interessante.

Fonte:  Blog Ovemundo, Blog Suriemu

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