Exame em Português Para Carteira de Habilitação Ainda é Um Desafio Para os Brasileiros no Japão!

Há 17 anos atrás fui transferir minha carta brasileira para a japonesa no Hamakita Menkyo Center, em Shizuoka. Desde daquela época já existia aquele medo e apreensão por ter que ir lá!

Guardas rigorosos ao limite. Talvez já acostumados com a intensa massa de brasileiros que vão ao local para tirar a sua habilitação e a fama que no Brasil “compramos¨a carteira”! Daí talvez a rígida exigência destes guardas!

Desde então, costumo ouvir todo tipo de histórias de amigos e conhecidos que foram tentar sua habilitação . Muitas reprovações, muitas exigências e mais mitos criados!

O tempo passou e voltei achando que muita coisa estaria diferente, mas não e que para minha surpresa praticamente nada mudou. Desta vez, fui acompanhando meu filho para o exame.

Apesar da introdução do exame em língua portuguesa, pude ver os rostos apreensivos dos muitos brasileiros presentes minutos antes e depois das provas, que durou até o resultado final.

Neste momento que antecedeu a divulgação dos números dos aprovados no painel, naquela multidão, um silencio infinito que acabou somente quando apareceu o resultado.

Ai foi o momento de alegria dos poucos que foram aprovados (meu filho depois da terceira tentativa) e murmúrios e lamentos dos que não conseguiram mais uma vez e terão que continuar a passar por todo esse medo e apreensão novamente!

Para quem pretende realizar o exame em português para conseguir a carteira de habilitação, recomendamos estudar bastante. Ler com bastante atenção as questões, são pegadinhas um pouco diferente do que estamos acostumados no Brasil. E se não der certo, estude e tente novamente.

Menkyo center de Hamakita, Shizuoka, exame em portugues da carteira de habilitação japonesa
Menkyo Center de Hamakita! Com certeza todos que moram ou já moraram na região de Hamamatsu já conhecem a fama deste local!

Depois que conseguir sua carteira de habilitação, dá início o processo de responsabilidade. Sim, neste país, quem não tem responsabilidade ao dirigir um carro, paga muito caro pelas faltas, falhas e acidentes. Esteja sempre atualizado com as normas de trânsito. Respeite os sinais e placas. Aqui não é Brasil… não tem o jeitinho… Respeitar as normas de trânsito é respeitar a sua vida e de outras pessoas também. É sua responsabilidade civil, social e criminal.

Dia 26/06/2012, a IPC digital, publicou um artigo sobre o exame em português, estaremos transcrevendo aqui, para conhecimento.

Exame em português tem alto índice de reprovação nos primeiros meses

Apesar da facilidade de poder fazer a prova em português, mais de 87% dos candidatos em Mie reprovaram

Seis províncias já vinham aplicando provas teóricas em português: Aichi, Shizuoka, Mie, Toyama, Shimane e Fukui. Em Shiga, a prova em português começou a ser aplicada na sexta-feira, dia 22. O exame pode ser feito de segunda a sexta-feira, mas o candidato deve fazer a inscrição na delegacia da cidade onde mora antes de ir ao centro de trânsito. Apesar da facilidade de poder fazer a prova em português, a quantidade de reprovados é grande como mostram os números de Mie.

De acordo com Atsuo Nakanishi, funcionário do centro de provas de Mie, desde que o exame teórico começou a ser aplicado em abril até a semana passada, 427 pessoas fizeram a prova em português, mas apenas 53 foram aprovados. Ou seja, mais de 87% dos candidatos reprovaram.

Para Nakanishi, a falta de estudo é o principal fator para o grande número de reprovação. Ele aconselha que os candidatos adquiram mais conhecimento sobre as leis de trânsito para prestar o exame. O nível de dificuldade da prova é o mesmo das versões em japonês e inglês. Manoel Santos, diretor de uma auto-escola, alega que a maioria dos japoneses, que não enfrenta a barreira do idioma, frequenta aulas práticas e teóricas.

Por isso na opinião dele, os brasileiros que querem tirar a carteira precisam conhecer as regras e leis de trânsito. “Os latinos, não só os brasileiros em si, não se adaptaram e acostumaram com o sistema japonês, acho que por causa do índice de valor, custo. É muito alto, e acaba que eles acham que vir por conta no dept. de trânsito, esse valor vai baixar”, afirma.

Apesar de gastar mais, quem tem recorrido à ajuda de empresas não se arrepende, mesmo que não tenha sido aprovado. É o caso de Nina Suzuki, que na quarta tentativa não passou por um ponto. “Mesmo assim ainda agradeço porque é uma oportunidade pra gente que não sabe bem falar o idioma, e o português ainda dá pra levar. Mas ainda acho que estudando dá pra passar”, diz.

Na primeira tentativa, Lilian Sanaie foi reprovada também por um ponto na prova de quase 100 questões. “Você conseguiria fazer a prova sem estudar? Sem estudar não conseguiria, porque tem muita pergunta que deixa a gente em dúvida”, relata.

Outro fator apontado como uma das causas da repovação é a falta de leitura e contato com o português, o que acaba dificultando a interpretação das questões. Para complicar ainda mais, a candidata alega que as palavras não têm acentos e algumas vezes não estão de acordo com a regra gramatical.

 Redigido por Marcelo Miyashita.

Quem já foi e fez exames lá? CONTE SUA HISTORIA!

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2 comentários em “Exame em Português Para Carteira de Habilitação Ainda é Um Desafio Para os Brasileiros no Japão!”

  1. claudio tokuda albuquerque

    eu tirei minha carta em hamakita e conssegui na primeira vez mais sei que dei muita sorte lá é muito rigoroso a maioria das pessoas vai mais de duas vezes o meu pai é motorista de caminhão no brasil e ele reprovou lá em hamakita vnte e duas vezes que acabou desistindo de tirar a carta…

  2. Este relato é um incentivo para quem quer tirar a carteira aí no Japão. Eu tirei a carta de motorista mas foi em Shiga. Trabalhei no Japão entre 1990 e 2005 e como não tinha carteira de motorista do Brasil, tive que ir numa auto escola japonesa. Foi em 97 quando estava em Shiga na cidade de Kosei. Fui à uma autoescola com um casal de amigos e o diretor da escola não queria fazer a minha matrícula pois achava que era desperdício de dinheiro (que me lembre foi 300 mil yens incluindo as provas) achando que não ia passar. Mas mesmo assim insisti e consegui me matricular (out/97). Foi à partir deste momento que comecei a entrar na cultura japonesa pois falava somente o básico para poder trabalhar e ler, somente hiragana e katakana. Kanji muito pouco mesmo. Mas peguei no livro e todo dia traduzia cada página com o auxílio de dicionários e também com ajuda de amigos japoneses que tentavam me explicar as situções do livro. Os professores da autoescola simpatizaram comigo e me incentivaram a conseguir a carta de motorista até o final do ano. Só tinha um professor que era chato e que até japoneses não gostavam dele. Este professor foi meu avaliador teórico na prova do teste para carta provisória (karimenkyo) e se eu não tivesse corrigido uma resposta, teria acertado todas as questões. A prova prática foi tranquila. E em final de dez/97 finalizei o curso. Faltava agora marcar a prova prática final e era a última do ano. E o coordenador era o professor chato. Eu fui marcar a prova mas ele falou que a turma já estava cheia mas os outros professores insistiram tanto que ele me incluiu na avaliação à contragosto. Mas foi ele que me avaliou e como estava nervoso, conversei com ele para quebrar aquele clima horrivel dentro do carro. Foi aí que ele me reprovou. Mas fiz a prova prática novamente e passei. Fiquei contente mas faltava a prova teórica final com 100 questões aplicada no menkyo center. E para piorar, nesta prova cairam 10 questões sobre motocicleta que não tinha estudado. Quando terminei já dava como certa minha reprovação mas quando vi o meu número no quadro de aprovados não acreditei. Fiquei olhando e olhando e pedi para verificar e me confirmaram que tinha passado. Foi como tivesse passado na prova final de uma faculdade. Pois não acreditava que conseguiria passar de primeira na prova teórica final mas consegui, apesar de todas as dificuldades.

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